As pessoas que me conhecem sabem que consumo uma quantidade absurda de mídia escrita e audiovisual no meu dia a dia. E, embora eu não tenha nenhuma experiência formal em crítica — ainda que me considere uma pessoa bastante crítica, ou pelo menos cheia de opiniões sobre o que vejo e leio — gosto muito de discorrer e divagar sobre os diversos assuntos e conteúdos que estou consumindo. Gosto de encontrar correlações e fazer interpretações — e, quanto mais única e singular a obra, mais satisfeito fico. Para mim, consumir esses conteúdos é quase um trabalho de investigação, como procurar pelos encaixes de um quebra-cabeça. Como pode ser percebido na minha última postagem sobre Fallen Angels , eu gosto de significados. Quando alguém ousa dizer “eu gosto de significados” , é fácil presumir que essa pessoa provavelmente espera que tudo venha mastigado — interpretado por outros, significado por outros. E, honestamente, admito que, por um tempo, essa foi a minha postura. Muitas vezes eu proc...
Review — Fallen Angels (1995) — O vazio existencialista e a tarefa tantalizante de se encontrar no outro. Depois de um tempo sem escrever e um tempo ainda maior sem assistir a um bom filme, eu finalmente decidi tirar um tempo para ambas as coisas, e nada melhor do que uma obra de arte como o filme Fallen Angels do diretor Wong Kar-Wai para me colocar de novo em movimento. Fazia um tempo que eu queria assistir a esse filme. Desde que eu assisti Chungking Express , eu me apaixonei pelo tom melancólico das histórias de amor perdido e os desencontros na busca de se conectar com outra pessoa e procurei saber um pouco mais sobre o diretor e sua filmografia. A história principal de Fallen Angels foi idealizada inicialmente como parte do conjunto de histórias de Chungking Express , entretanto, foi removida posteriormente por ser mais densa e sombria do que as histórias de seu predecessor. Não entenda errado, ambos os filmes são extremamente melancólicos, mas os temas abordado...